[o valor, a condição e desafios para os Guias; cedo para conclusões]
Em conversa com a editora do Guia do Estado, Evelin Fomin, ela me disse que “seu” Guia é “totalmente de serviço”. Se considerarmos que jornalismo de serviço é aquele que presta um serviço ao leitor, trazendo a ele informações de que ele precisa, a editora estava correta. O leitor dos Guias os consulta para obter alguma informação imediata, para ele saber qual é o horário do cinema. E ponto.
Mas não é bem assim. Os Guias têm seções muito parecidas com as divisões feitas pelo jornalismo cultural. Se formos analisar a Bravo!, a revista de jornalismo cultural mais importante do país, os temas tratado por este veículo são música, cinema, literatura, artes plásticas, teatro, dança e literatura, áreas presentes nos Guias. Vemos também nos cadernos culturais análises de filmes, peças e shows, elementos presentes nos Guias. Encontramos também, na “Ilustrada”, caderno cultural da Folha, a seção “Comida”, com “dicas” muito parecidas com a do Guia da Folha (inclusive com o crítico Josimar Melo nas duas partes). E também o “listão” com os horários dos filmes em cartaz no caderno de cultura de todo país.
Como pode ser visto, há muitos elementos do jornalismo cultural nos Guias. E muito dos Guias no jornalismo cultural. Esse intercâmbio entre serviço e cultura é muito grande. Ainda mais no que se diz respeito ao jornalismo cultural da atualidade, em que a agenda pauta muita das discussões: se há o lançamento de um blockbuster no fim de semana, é claro que vai ser tema tratado no jornalismo cultural – e nos Guias também.
Mas a maior discussão – e mais importante – a respeito do assunto não é de que “tipo” de jornalismo estamos tratando, mas sim de como estamos tratando esse jornalismo. Os Guias prestam um serviço à sociedade, trazendo a agenda cultural da semana, vez ou outra com análises e pequenas reportagens para ajudar o público a escolher sua “rota”. Se os Guias fossem apenas uma simples disposição de “eventos” aos leitores não representa um bom jornalismo – nem sei se posso chamar isso de jornalismo. Mas trazer o leitor o serviço com um contexto, com uma informação nova, com uma leitura proveitosa é o que entra em questão.
Os Guias abordados neste blog têm conseguido cumprir este papel. Eles informam o leitor e prestam um serviço bastante grande. O Guia do Estado com mais contextualização e originalidade, o Guia da Folha com mais análise e cobertura mais ampla, mas os dois trazendo cultura a serviço do leitor. O maior desafio é melhorar nesse processo de levar a cultura ao públ. Ou de levar o público à cultura.
O jornalismo dos Guias
Em conversas informais, percebo um certo “desprezo” das pessoas com os Guias. Como tratado em coluna anterior, muita gente se pergunta se os guias são jornalismo. Muitas vezes, ele é considerado o “primo pobre” do jornalismo, mas não é verdade. Creio que muitas das falhas que os Guias cometem (muitas apontadas neste blog) são justamentpor causa desse tratamento de segunda classe que muitas vezes ele leva. Uma das grandes dificuldades que tive ao realizar este trabalho foi a falta de material de pesquisa existente sobre o assunto. Sou praticamente um pioneiro na área. Este blog, pequeno, representa um quase-nada do mundo que pode ser desvendado pesquisando-se sobre Guias. Espero que este blog seja apenas um início de uma leitura mas crítica desses veículos, para que eles saiam dessa condição obscura, assim como espero o mesmo para muitos outros “jornalismos” escondidos por aí.






